
Após o jogo contra o Atlético Goianiense, eu cheguei a apostar que Celso Roth já era uma carta fora do baralho, enquanto que aquele a ser batido era a figura de Paulo Pelaipe. Engano meu. Pelaipe, de fato, saiu. E Celso Roth tende a ficar. São os primeiros sinais da posse de André Krieger, novo diretor de futebol do Grêmio. Desejo sorte ao seu trabalho, mas ao mesmo tempo, para mim, ele já começa mal. Começa mal por dar sinais que irá insistir em Celso Roth para o segundo semestre. Segundo o próprio, este não seria o momento para mudanças. Espera um momento, é exatamente o contrário, se há um momento para mudança, esse momento é agora, justamente no período que a equipe tem tempo para treinar e se reestruturar para o início do Brasileiro. Eu não entendo o porquê de insistirem em Celso Roth para o Brasileiro. Eu não tenho dúvidas que Roth não fica muito tempo no Grêmio, pelo seu histórico (talvez ele até consiga contrariar a natureza, o que não acredito), pela sua arrogância e pelo seu preciosismo (quer mostrar que sabe, inventa, teima com a opinião pública, para mostrar que ele é o certo e o resto é errado – veja o exemplo de Nunes).
Pior de tudo, é ver Paulo Odone também preparar o terreno para a permanência de Celso Roth. O nosso atual presidente disse: “As referências que tenho do Celso são sempre boas. O Eurico Miranda me parabenizou pela contratação dele. O presidente do Palmeiras (Affonso Della Monica Netto) me disse que ele era o melhor treinador que passou por lá” – Para começar, temos a palavra de um presidente ultrapassado, que está afundando o seu time, e fazendo com que a torcida vascaína abrace cada vez mais ao Roberto Dinamite. Esse é Eurico Miranda, o mesmo que disse que estava escrito há 2000 anos atrás, que o Vasco seria campeão carioca de 2008 (foi eliminado ontem (12/04) pelo Fluminense, nas semifinais da Taça Rio). Segundo, eu gostaria de perguntar ao senhor ilustre presidente do Palmeiras, Afonso Della Monica, se ele trocaria o Felipão ou Luxemburgo pelo Celso Roth, já que Roth foi o melhor treinador que passou por lá, segundo o presidente palmeirense. Se eu fizesse a pergunta “Celso Roth foi o melhor técnico que passou no Palmeiras?” aos palmeirenses (aproveitando que eu moro em São Paulo), eles me achariam um louco. E com toda razão. Aí começo a desconfiar, se o Della Monica não fez uma brincadeira de mau-gosto, já que houve aquele incidente com Valdívia e Gavilan e a nota no site do Grêmio sobre o chileno, após as confusões em que ele se meteu contra o Vasco da Gama, no Brasileiro de 2007. Se fez, o nosso presidente caiu direitinho.
Agora vamos ser mais realistas. Houve uma supervalorização do time. Eu também entrei nessa. Apesar de, eu discordar totalmente do caro colega Hélio Sassen Paz, no artigo que fez em seu excelente blog, ao afirmar que esse Grêmio é o pior Grêmio desde 1991. Discordo, não é para tanto, ainda mais porque, o pior time que eu vi jogar era o de 2004, que não apenas era ruim, mas era um time sem vergonha que baixava a cabeça pelo primeiro gol que tomava, e não honrava a camisa do Imortal, ao contrário, por exemplo, do Corinthians que caiu para Série B, cujo time era ruim, mas ao menos lutava por cada jogo. Este Grêmio é um time limitado, de fato é. É fácil falar isso agora, com certeza, eu admito o meu erro. Esse plantel não tem laterais de qualidade a ponto de serem regulares (como é o caso do Paulo Sérgio), o único que consegue marcar alguma coisa é Bruno Telles, que vive lesionado. A zaga é uma incógnita. Segundo uma nota do FinalSports, Léo, justamente o nosso melhor zagueiro (apesar de seu rendimento ter caído muito, após a convocação de Dunga, na partida amistosa diante da Suécia), jovem e promissor, estaria vendido ao Hoffenheim por € 8 milhões. Aí nos restam Teco (ainda se recupera de lesão), Jean (era para chegar e assumir o posto de titular, mas a boa fase de Pereira o impediu, e ainda é uma incógnita, jogou bem contra o Juventude em Caxias, mas desapareceu diante Juventude em Porto Alegre e contra o Atlético Goianiense, preciso de mais jogos para chegar a uma conclusão), Pereira (vive uma boa fase, mas é o Pereira) e Réver (recém-contratado e não sabemos no que vai dar). Já no meio de campo, o Grêmio precisa urgentemente de um reforço. Dos Santos ainda não mostrou para que veio, essa é a verdade. Já o Roger é o nosso melhor jogador, aquele que era tido como “chinelinho”, é justamente aquele que vem mostrando mais vontade nos jogos, tanto é, que você vê um esforço por parte dele, em organizar as jogadas, partir para cima dos marcadores, chutar a gol, e ainda marcar a saída de bola do adversário. O problema do Roger é o seu histórico de contusões, só nesse início de temporada, Roger já sentiu dores em algumas oportunidades, e isso porque o calendário do Rio Grande do Sul ainda é leve, se comparado com os calendários de São Paulo e Rio de Janeiro. No segundo semestre, teremos várias semanas consecutivas jogos no meio e no final de semana, e com certeza, Roger vai sentir. E se Roger sair, não teremos criatividade na ligação do meio ao ataque. Por isso a urgência na contratação de um meio-campista, ainda mais porque, Peter não deu certo no Grêmio e hoje foi para o Sport. No ataque, Perea e Soares se mostraram uma excelente dupla, mas desde que Soares se lesionou, Perea voltou a ficar numa fase terrível, erra gols bobos, é fominha em outros lances, e vem se mostrando irregular, pois não adianta fazer seis gols em dois jogos, e passar outros dez sem fazer. Perea tem muita habilidade, apenas precisa colocar a cabeça no lugar, ser mais inteligente dentro de campo, para ser menos afobado. O mesmo pode se dizer de Tadeu, mas Tadeu não tem a mesma habilidade de Perea, é jovem, vai evoluir, mas neste momento, é complicado contar com ele. Eu apostei no garoto, admito, e errei, talvez ele consiga se tornar um excelente centro-avante, mas hoje, Tadeu serve para ser apenas uma opção de banco e olha lá. Jonas sem comentário. Talvez nem seja lá uma opção de banco, e ele passou de salvador a carrasco, quando fez o gol diante do Juventude, e logo depois foi expulso numa infantilidade, que praticamente, acabou com as chances do Grêmio empatar contra o Juventude no Olímpico. Reinaldo começou a jogar bola, mas ainda sim, não é nada espetacular, também é jogador para ser no máximo opção de banco. Titulares mesmo, até então, Perea e Soares, se um deles sai, aí começa a complicar.
Ou seja, houve sim uma supervalorização do elenco, apesar de eu não achar que seja um time ruim, não é, pois esse time conseguiu fazer a melhor campanha da primeira fase do Gauchão, e ficar na frente do Internacional, sendo que o colorado já estava em ritmo de jogo (disputou a Dubai Cup, antes do Campeonato Gaúcho) e tinha um elenco formado desde 2007. O meu parâmetro não é o Gauchão, é a comparação com a campanha do rival, mesmo com grupos diferentes, mas que numa situação normal, dois times de cada grupo estariam nas semifinais, porém isso não ocorreu não pelo time ser ruim, ocorreu muito mais porque Celso Roth fez uma salada injustificável diante do Juventude, que confundiu, inclusive, os próprios jogadores do Grêmio. No entanto, o time não é um espetacular, muito longe disso, e não tem auto-suficiência para cobrir as maluquices do técnico. Por isso, que eu acho, que se Celso Roth ficar, é bom a gente se preparar, e cairmos na real. Nesse contexto, o time tende a brigar para não cair para Série B. Pode até ocorrer o inverso, pois “há coisas que só ocorrem com o Grêmio” (peço essa frase emprestada ao Botafogo). O problema é quando essas coisas deixam a diretoria mal acostumada, pensando que o time sempre fará seus milagres em campo. Esse é o grande mal de fazer viradas espetaculares contra times pequenos, que fez com que o nosso ilustre Paulo Pelaipe, disparasse a frase “o Boca é um Caxias de grife”, após perdemos por 3×0 em La Bombonera. E obviamente, a diretoria deve pensar que haverá milagres com Celso Roth, o que eu duvido. Para mim, dificilmente Celso Roth fica no Brasileiro, e teremos que mudar no decorrer do Campeonato. E a última vez que ficamos trocando de técnico em pleno Brasileiro, foi em 2004, e caímos para Série B. E também me impressiona como a diretoria segue na contra-mão do desejo da torcida. Se o pedido de demissão do Pelaipe foi atendido, em compensação do pedido de Celso Roth não. Mas esperar o que, de um presidente, que se dá sinais de cansaço em seu posto, e que fala abertamente que gostaria de ter saído da presidência em dezembro, para assumir a Grêmio Empreendimentos? O mandato de Paulo Odone está terminando de maneira melancólica. E fico preocupado com o próximo presidente, que terá que segurar o abacaxi, feito por seu antecessor. Abacaxi financeiro e técnico. Se as coisas já estão ruins no Grêmio, ainda podem ficar piores.
Para encerrar, vou deixar aqui o meu pedido de desculpas a um jogador: Nunes. Acho que alguns de nós estamos sendo injustos com ele. Nunes não tem culpa por estar sendo escalado, ele apenas aproveita a oportunidade, assim como qualquer jogador aproveitaria. E ele vem se esforçando nos jogos, apesar de sua falta de qualidade técnica. Não podemos usar Nunes como elemento fundamental para essa crise. É apenas um jogador que quer fazer aquilo que qualquer jogador quer fazer: jogar. A culpa é de quem o coloca na fogueira, assim como a culpa é de quem permite que o mesmo que o coloque na fogueira continue trabalhando no Olímpico.
Abril 14, 2008 às 12:17 am |
Digamos que a minha provocação tenha sido exagerada. Mesmo assim, o GRÊMIO atual só não é horroroso quando TODA a zaga TITULAR mais ROGER e a dupla de ataque estão presentes simultaneamente em campo.
No que falta um único desses jogadores, o rendimento não apenas piora um pouco, como é de se aceitar e de se esperar quando um jogador menos entrosado, ou menos forte, menos veloz, menos técnico e menos inteligente substitui o respectivo titular: há uma queda abrupta, que me lembra muito a de 1991, quando tínhamos pouquíssimas diferenças em relação ao time que havia sido terceiro colocado no BRASILEIRÃO de 1990 no semestre imediatamente anterior.
Mesmo que um time seja mais esforçado e se entregue com menos facilidade do que outro, se a disparidade entre titulares e reservas no time mais esforçado for grotesca em relação à disparidade dentro do plantel do time animicamente inferior, o grupo mais equilibrado tem mais chances de compensar suas limitações em relação ao grupo onde prevalecem as disparidades entre atletas da mesma posição.
Minha opinião pessoal envereda nessa direção: nossos titulares não são necessariamente piores do que os de 2006 (excelente campanha) e 2007 (boa campanha). Porém, o banco é muito mais carente.
[]’s,
Hélio
Abril 14, 2008 às 12:09 pm |
Eu discordo e ja disse antes que com mais 3 caras bons o elenco fica bom. No plantel do GRÊMIO o que atrapalhou foram as lesoes e algumas peças( nunes). no geral mesmo foram os erros do roth. observe o seguinte: no jogo contra o juventude no primeiro tempo com todas aquelas esquisitices taticas da escalação do GRÊMIO foi 2×0 pro juventude e no segundo tempo quando o nosso inteligetissimo tecnico percebeu que errou na escalação e deu uma certa cara ao time o placar do segundo tempo foi 2×1 pro GRÊMIO. Ai meu amigo depois disso desandou tudo. valeu.
Agosto 8, 2008 às 1:29 pm |
Pode escrever, o Grêmio vai ser campeão Brasileiro