
De fato, a contratação de Júnior passa a sensação de não ser muito criteriosa por parte da diretoria comandada, naquele instante, por Paulo Pelaipe. Afinal, o histórico do jogador não passava nenhuma confiança de que a sua história no Grêmio seria diferente do que fora no Flamengo. No entanto, é preciso fazer algumas ressalvas com Júnior, para não ser injusto com o jogador.
Eu não sabia que Júnior e Celso Roth eram desafetos por conta de um episódio em 2005, quando os dois estavam no Flamengo. Se desavenças pessoais entre o técnico e o jogador pesaram na decisão de realizar a rescisão de contrato, aí está tudo errado. Quando o Grêmio contratou o jogador, deveria ter em mente qual seria a função de Júnior para temporada, se ele atenderia as funções que lhe cabiam no clube. Isso se chama planejamento. Ou seja, quando o Grêmio o contratou, deveria ter convicção de sua contratação, e dentro dessa situação, desavenças particulares entre o técnico e o jogador não deveriam entrar em campo.
E fora que, Júnior praticamente não recebeu nenhuma chance de jogar no Campeonato Gaúcho e Copa do Brasil. Pelo pouco que jogou, não agradou, mas o jogador precisa de tempo, ou seja, de oportunidades, para se encaixar no esquema tático do time. Vejam o exemplo, aqui em São Paulo, no caso Léo Lima. Jogador que teve a proeza de ser dispensado em apenas um ano, pelo Flamengo e pelo Grêmio (coincidentemente, situação semelhante a do Júnior), agora está jogando bem pelo Palmeiras. Segredo? Persistência de Vanderlei Luxemburgo, que dá segurança ao jogador e o coloca em todos os jogos possíveis e o mantém em ritmo nas disputas das partidas. Júnior não teve essa chance. O volante teve apenas 137 minutos nos gramados em partidas oficiais pelo Grêmio. Celso Roth insistia em Nunes, e deixava Júnior no banco. E Rodrigo Caetano diz que sua saída foi por questão técnica, mas o jogador não teve chance de mostrar e evoluir a sua técnica no decorrer dos jogos. E a situação piora, quando um dirigente (não identificado na nota da Zero Hora) diz essa frase: “O homem (Celso Roth) não ia com a cara dele”.
O fato é que a contratação de Júnior não teve nenhum critério para ser realizada, ao menos, é o que parece neste instante. E como se não fosse o bastante, Júnior é o resultado de mais gastos da diretoria, para absolutamente nada. O jogador ganhou, até então, R$ 120 mil reais de salários mensais (R$ 30 mil por mês). O pior é se esses gastos forem ampliados, por causa de questões pessoais de Celso Roth. Aí, sinto muito, só pode ser várzea. Júnior ainda receberá mais R$ 120 mil por conta da rescisão do contrato, de acordo com as normas da CLT e receberá o 13º salário. Mais um fruto da falta de planejamento da diretoria para 2008, que resulta na falta de convicção nas suas contratações, o que gera mais gatos que poderiam ser evitados.
Abril 30, 2008 às 7:10 pm |
Brilhante analise Bruno. Se eles tiveram desavenças em outro clube não podiam trazer para o Grêmio porque ambos são profissionais, não podiam misturar as coisas. Cara eu rezo para ver o dia que o Grêmio não tera mais esse problemas ridiculos de mal planejamento. E o pior é ouvir esses caras dizendo que estao fazendo o melhor pelo Grêmio. valeu.