
No próximo sábado, o Grêmio inicia a sua caminhada no Campeonato Brasileiro de 2008. Estamos a uma semana do início do campeonato nacional (no tempo que esse artigo foi escrito – 03/05/2008). E o Grêmio parece que se encontra em ritmo de pré-temporada, com time desentrosado. Vendo a atuação do Grêmio hoje, diante do Avaí, a impressão é que os 20 primeiros jogos do ano, no Campeonato Gaúcho e Copa do Brasil, e mais os dois amistosos realizado nesse período de intertemporada, de nada serviram. No jogo diante o Avaí, o Grêmio jogou mal, a equipe parecia completamente desentrosada, houve momento que o Imortal foi dominado diante da equipe de Florianópolis. O Grêmio parece o mesmo Grêmio do início de temporada, onde Victor nos salvava das derrotas. Mais uma vez, o goleiro mostrou o porquê de ser a contratação mais acertada pela diretoria (entre tantas erradas também), ao lado de Roger. Fez excelentes defesas, com direito a defesa no ângulo do gol. No entanto, no começo do ano, o Grêmio tinha o respaldo de enfrentar equipes pequenas, sendo assim, mais fácil de vencer e ao mesmo tempo se entrosar. Mas na semana que vem, o adversário não é um XV de Novembro ou um Grêmio Sapucaiense, é o São Paulo, atual bicampeão brasileiro e um dos favoritos para conquistar a Libertadores. Logo em seguida, pegaremos o Flamengo, que está na final do Campeonato Carioca e faz boa campanha na Libertadores, sendo também, um dos favoritos.
O jogo deste sábado, começou com o Avaí começou pressionando, decidido a marcar logo o gol. O Grêmio demorou para acertar a marcação no meio-de-campo, formado por três volantes (Eduardo Costa, Rafael Carioca e William Magrão). Até acertar, o Avaí já havia criado oportunidades de gols, mas Victor fez valer a sua categoria no gol. Quando Victor não conseguia fazer algo para evitar o pior, a trave nos ajudava, como foi no lance de Batista. Aí Paulo Sérgio é derrubado na área. Soares vai cobrar, e erra. E defende o velho conhecido, Eduardo Martini, ex-goleiro do Grêmio.
No segundo tempo, o Grêmio voltou com substituições, Amaral no lugar de William Magrão e Jonas no lugar de Dos Santos. A última substituição, eu não entendi, tirar o único meio-campista criativo, mesmo que não estivesse lá jogando grande coisa, para colocar Jonas? Mais uma pérola de Celso Roth. E essas e outras substituições, no decorrer do jogo, não surtiram grande efeito, o jogo continuou mal, até com um pouco de emoção, mas parecia uma pelada. O placar de 0×0 foi o mais justo para ambos os lados. O Avaí que se esforçou, e o Grêmio que jogou absolutamente nada.
Aí, ao término da partida, Celso Roth justifica a má atuação, dizendo que o Avaí jogou pra valer e o Grêmio tratou a partida como treino. Desculpe, isso é discurso de perdedor. O Grêmio tinha que vencer essa partida, é um time tecnicamente superior ao Avaí, e como manda a tradição de sua camisa, o time precisa entrar determinado a vencer. Depois Roth diz que precisa de tempo, mais do que já teve, que equivale a três meses. Para Celso Roth, a pré-temporada ideal dura seis meses ou algo maior do que isso? Celso Roth precisa aprender a admitir as suas falhas. Mas sua arrogância não permite isso. Afinal, vale lembrar, que Celso Roth disse, ao assumir a vaga deixada por Vagner Mancini, que o time era qualificado e pronto para brigar por títulos. Após as eliminações do Campeonato Gaúcho e Copa do Brasil, Roth diz que não foi ele que escolheu o grupo. Por mais que ele tivesse razão, porque de fato, ele não escolheu o grupo, tal declaração foi oportunista e arrogante em não admitir seus erros. Se tempo é a justificativa de Roth, o que ele me diz sobre o fato de Zetti ter assumido o Juventude, uma semana antes de eliminar o atual técnico gremista do Gauchão?
Assim, com um time desentrosado, e conseqüentemente, jogando mal a sua última partida, antes do início do Campeonato Brasileiro, o Grêmio vai estrear na competição diante do atual campeão brasileiro, São Paulo, no Morumbi. É medíocre pensar dessa maneira, mas torço para que o São Paulo e Flamengo poupem titulares para as partidas diante do Imortal, já que estão em fase de mata-mata na Libertadores, para facilitar um pouco o nosso caminho. E sinceramente, diante desse contexto, com mau-planejamento, time não se encontrando em campo e um técnico de qualidade duvidosa, ficarei agradecido se o Grêmio não passar pelo drama da briga contra o rebaixamento. Apesar de achar que o time pode melhorar, tem os seus valores e a sua categoria. Mesmo assim, ficaria muito agradecido por uma vaga na Copa Sul-Americana, o que é pouco diante da tradição do Grêmio, mas é bom diante do atual contexto em que o Maior do Sul está inserido. Pode ocorrer do Grêmio até disputar Libertadores, pois, às vezes, o Imortal faz coisas que surpreende até mesmo a nós torcidores. No entanto, isso é contra lógica dos fatos. Não podemos esperar por um milagre, temos que ser realistas. O jeito é lutar para evitar o pior em 2008, manter a base em 2009, reforçá-la, para assim, darmos início a um ano em que podemos brigar por títulos e com um planejamento de verdade. O objetivo do Grêmio, no Campeonato Brasileiro de 2008, deve ser esse. Apenas espero que eu esteja errado, e que o Grêmio nos surpreenda com uma campanha mais digna.
Avaí 0 x 0 Grêmio
Local: Estádio da Ressacada, em Florianópolis (SC)
Data: sábado, 3 de maio de 2008
Árbitro: Jefferson Schimidt
Assistentes: Cleber Lúcio Gil e Alcides Zawaski Pazetto
Cartões amarelos: Arlindo Maracanã, Marquinhos, Bruno (Avaí); Soares, Willian Magrão, Léo, Rafael Carioca, Amaral, Eduardo Costa (Grêmio)
AVAÍ
Eduardo Martini (Diogo); Cássio, Fabrício (Zé Rodolfo) e Emerson; Arlindo Maracanã, Bruno (Cocito), Batista (Fernandinho), Marquinhos e Jef Silva (Carlinhos); Valber (Odair) e Vandinho (Rafael Costa).
Técnico: Silas
GRÊMIO
Victor (Marcelo Grohe); Paulo Sérgio, Léo (Jean), Réver e Hidalgo (Hélder); Eduardo Costa, Rafael Carioca (Rodrigo Mendes), Willian Magrão (Amaral) e Julio dos Santos (Jonas); Soares e Perea (André Luís).
Técnico: Celso Roth

















